O resultado desportivo e o enquadramento técnico na natação
Numa das crónicas anteriores, relatávamos que a existência de programas funcionais de âmbito técnico e complementar na estrutura e dinâmica da Natação, Portuguesa, era um instrumento indispensável para que os resultados surgissem, de forma a diminuir o “fosso” que nos separa da evolução que se vem constatando na Natação Mundial.
O que se verificou, com ou sem fatos de “borracha”, é que a distância que nos separava da elite mundial aumentou neste ciclo Olímpico (2004-2008), com base na análise da diferença objectiva entre o RN e o tempo de acesso ao 16º e 8º da elite (tendo como base as classificações nos J.O.). Estes resultados eram já antevistos em 2004, pela previsão matemática para 2008.
Urge, por isso, a adopção de medidas que permitam corrigir esta tendência, negativa, de aumento da distância dos resultados da elite mundial e a elite nacional. Estas medidas devem estar alicerçadas numa estratégia concertada de todos os agentes com responsabilidade na natação (dirigentes; técnicos; nadadores; comunidade científica, entre outros), de forma a dar resposta às seguintes questões centrais:
1. Que medidas são necessárias para integrar, a partir de 2010 (deveria ter sido a partir de 2008...), factores de aceleração estrutural, i.e. permanente, aos resultados da Natação Portuguesa, de forma a aproximá-la dos lugares de meia-final olímpica em 2012 e final em 2016?
2. O que fazer para aumentar a permanência dos nadadores de nível, durante 4-6 anos após os Europeus de Juniores?
3. O que fazer para aumentar o nível qualitativo dos nadadores que garantam os resultados desportivos de uma forma permanente e cíclica?
Ainda recentemente assistimos, no caso da Natação Portuguesa, a uma alteração estrutural, que determinou grandemente a evolução do resultado desportivo: a utilização massiva entre 1998/2004 das piscinas de 50m para treino e/ou competição, factor perto do esgotamento evolutivo.
Há que procurar outros!
O resultado desportivo é consequência de uma complexidade de factores. Um dos principais factores condicionadores é a existência de nadadores com potencialidade. É considerado talento desportivo, um indivíduo que apresenta factores endógenos especiais, os quais, sob influência de condições exógenas óptimas, possibilitam prestações desportivas elevadas. Mas mais importante do que o processo de identificação e selecção de potenciais talentos para uma dada modalidade, está o processo de promoção e orientação do talento que apesar de não identificado ou seleccionado existe para ser trabalhado.

Existem factores que dependem do envolvimento de treino: dedicação prioritária; apoio tecnológico; apoio científico; infra-estruturas; apoio técnico.
No caso vertente do enquadramento técnico, alguns assumem relevância especial:
1. É urgente e necessário aumentar a qualificação, eminentemente técnica, dos recursos nesta área de formação e treino determinantes para o salto qualitativo da natação Portuguesa;
2. É urgente aumentar o número de treinadores disponíveis a tempo integral, para as tarefas de planificação, execução, controlo e avaliação do processo de treino;
3. É urgente proporcionar aos treinadores com experiência de Alta Competição, contactos para a formação e aprendizagem de novos métodos de treino, juntamente com outras selecções mundiais (Estágios de Formação AC);
Cabe aos técnicos a decisão!




